ACONTECENDO NO ESPÍRITO SANTO

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

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Ingratidão política: o distanciamento de Arnaldinho e o esquecimento do apoio de Casagrande

Na política, divergências são naturais. O que causa estranheza — e gera desgaste — é a ingratidão travestida de projeto pessoal. É exatamente essa a leitura que muitos fazem do comportamento recente do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, em relação ao governador Renato Casagrande.

Arnaldinho não chegou onde está sozinho. Sua trajetória política foi diretamente impulsionada pelo apoio decisivo do Palácio Anchieta, seja na articulação política, seja no volume expressivo de investimentos estaduais que ajudaram a transformar Vila Velha em vitrine administrativa. Obras estruturantes, convênios, repasses e presença institucional do Estado deram musculatura ao discurso de gestão eficiente que hoje o prefeito utiliza como trampolim eleitoral.

Ainda assim, ao iniciar 2026, Arnaldinho opta por romper politicamente, adotando um discurso de independência que ignora — ou tenta apagar — o papel fundamental do governador em sua consolidação no cenário estadual. O gesto soa menos como autonomia e mais como oportunismo eleitoral.

Casagrande, por sua vez, sempre manteve postura institucional, republicana e leal. Mesmo diante das movimentações do prefeito, evitou ataques públicos, preservou investimentos em Vila Velha e deixou claro que alianças políticas não se confundem com retaliações administrativas. Essa postura só reforça o contraste entre a maturidade do governador e a pressa do prefeito em se descolar do grupo que o ajudou a crescer.

A política capixaba é pequena, a memória é longa e o eleitor atento. Romper sem reconhecer o passado não é sinal de coragem, mas de cálculo frio. Projetos pessoais não justificam a tentativa de reescrever a própria história.

No fim, Arnaldinho pode até disputar novos espaços, o que é legítimo. O que não passa despercebido é a ingratidão política, que cobra seu preço — seja na credibilidade, seja na confiança de futuras alianças.

Porque na política, assim como na vida, quem esquece de onde veio dificilmente convence sobre onde quer chegar.

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