ACONTECENDO NO ESPÍRITO SANTO

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

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O silêncio milionário de Amaro Neto e o custo de votar em “popstar”

O nome precisa ser dito: Amaro Neto. Eleito com milhares de votos, remunerado com milhões de reais em salários e benefícios ao longo do mandato, o deputado federal passou três anos sem subir à tribuna da Câmara dos Deputados para fazer um único discurso. Nenhuma palavra pública em defesa dos eleitores que o colocaram lá. Nenhuma manifestação clara nos grandes debates nacionais. Nenhuma voz para representar o Espírito Santo diante do país.

Em uma democracia, isso não é detalhe técnico  é omissão. A tribuna é um dos principais instrumentos de representação política. É onde se confronta, se cobra, se defende o cidadão e se registra posição para a história. Abrir mão desse espaço por anos não é “estratégia”, é abandono da função política.

Mais grave ainda é o contraste entre o silêncio e a remuneração. Enquanto o parlamentar acumulava salários pagos com dinheiro público, o eleitor capixaba enfrentava problemas reais: falta de serviços, crise na saúde, insegurança, impostos altos e desigualdade. O mandato seguiu… mudo.

O problema maior: o voto no “popstar”

Esse episódio escancara uma ferida antiga da política brasileira: o voto em celebridades, personagens de redes sociais e figuras midiáticas, escolhidas mais pela fama do que pela disposição real de lutar pelos cidadãos. Vota-se no rosto conhecido, no bordão fácil, no personagem pronto  e não em quem estuda, debate, enfrenta o sistema e dá trabalho aos poderosos.

Política não é palco, não é reality show e não é concurso de popularidade. É embate, é desgaste, é coragem. Quem luta de verdade incomoda, fala demais, denuncia, cobra e paga preço por isso. Já o “popstar político” muitas vezes prefere o conforto do silêncio, a proteção da irrelevância e a manutenção do mandato sem conflitos.

O resultado desse tipo de escolha é previsível: mandatos caros, inexpressivos e ausentes. O eleitor perde voz, o estado perde força política e o sistema agradece, porque um deputado que não fala também não atrapalha.

Representar exige voz

Receber votos é assumir compromisso. Receber salário público é assumir responsabilidade. Um mandato sem voz não representa  ocupa espaço. E enquanto parte do eleitorado insistir em votar por fama, carisma ou curtidas, continuará pagando caro por representantes que falam pouco, lutam menos ainda e se escondem quando mais se precisa deles.

O silêncio de três anos de Amaro Neto não é apenas pessoal. Ele é o retrato de um modelo de escolha que precisa ser revisto. Porque democracia não sobrevive de celebridades  sobrevive de representantes que falam, enfrentam e defendem o cidadão.

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