De acordo com apurações, o interno passou a ter acesso a setores estratégicos e a sistemas administrativos ligados à Central de Alvarás, responsável por procedimentos que envolvem diretamente a liberdade de presos. A conduta levanta questionamentos sérios sobre responsabilidade funcional, quebra de protocolos e negligência institucional.
Quebra de confiança e risco à sociedade
Especialistas ouvidos pelo portal Acontecendo no ES são categóricos: nenhum interno pode ter acesso a senhas, e-mails institucionais ou sistemas oficiais, independentemente de exercer atividades internas. Esse tipo de permissão abre brechas para fraudes, manipulação de documentos e até solturas irregulares de detentos, o que representa uma ameaça direta à sociedade.
“É inadmissível que alguém privado de liberdade tenha acesso a dados sensíveis do Estado. Isso não é falha simples, é uma violação grave dos princípios básicos da segurança prisional”, afirmou um servidor penal que preferiu não se identificar.

Punição questionada
Apesar da gravidade do caso, a penalidade aplicada ao diretor-geral tem sido considerada branda e desproporcional por servidores e entidades ligadas à segurança. Para muitos, a mensagem transmitida é perigosa: a de que erros graves podem ser tratados como meras irregularidades administrativas.
A permanência do gestor no cargo reforça a sensação de impunidade e fragilidade institucional, além de gerar insegurança entre os próprios policiais penais que seguem rigorosos protocolos no dia a dia das unidades prisionais.
Credibilidade em xeque
O episódio expõe uma crise de confiança dentro do sistema prisional capixaba. Permitir que um interno tenha acesso a informações sigilosas não é apenas um erro administrativo é um ataque direto à credibilidade da Polícia Penal, construída com esforço por servidores que atuam na linha de frente.
A sociedade cobra transparência, rigor nas apurações e, sobretudo, responsabilização compatível com a gravidade dos fatos. Em um cenário onde o crime organizado busca constantemente brechas no Estado, atitudes como essa não podem ser normalizadas.
O Acontecendo no ES seguirá acompanhando o caso e cobrando respostas das autoridades competentes.


