ACONTECENDO NO ESPÍRITO SANTO

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

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Policiais Penais Acumulam Nova Função e Denunciam Sobrecarga nas Unidades Prisionais

As unidades prisionais do Espírito Santo enfrentam mais um capítulo de insatisfação entre os servidores da segurança pública. Além da já conhecida falta de efetivo, os policiais penais agora passam a assumir mais uma atribuição que não integra as funções típicas do cargo: o acompanhamento e ateste da pesagem do lixo produzido nas unidades.

A nova exigência administrativa, que prevê a presença obrigatória de um servidor para acompanhar a coleta, anotar a pesagem, acessar sistema informatizado, lançar dados, imprimir documentos e validar o serviço, tem sido recebida com forte crítica pela categoria. Para muitos policiais penais, trata-se de desvio de função, agravando ainda mais a rotina em ambientes já marcados por tensão, risco permanente e sobrecarga operacional.

“Falta policial penal para garantir segurança, escolta, custódia e controle interno, mas sobra função que não é nossa”, relata um servidor, sob condição de anonimato. Segundo ele, a medida ignora a realidade das unidades, que operam no limite, com escalas apertadas e efetivo reduzido.

A insatisfação também expõe um problema estrutural mais amplo: a fragilidade da representação sindical. Servidores afirmam que a ausência de um sindicato forte e atuante facilita a imposição de tarefas administrativas alheias às atribuições legais do cargo, sem diálogo prévio ou compensações funcionais.

Especialistas em gestão pública alertam que o acúmulo de funções administrativas sobre agentes da segurança penal pode gerar impactos diretos na segurança interna das unidades, aumentando riscos de falhas operacionais, rebeliões e incidentes. Além disso, a prática pode abrir margem para questionamentos jurídicos relacionados ao desvio de função.

Enquanto o Estado amplia controles, planilhas e procedimentos burocráticos, os policiais penais cobram o básico: mais efetivo, valorização profissional e respeito às atribuições legais do cargo. Entre o sentimento de abandono institucional e a sobrecarga diária, o desabafo ecoa nos corredores do sistema prisional: para muitos servidores, “só a fé” tem sustentado a permanência no serviço.

A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria responsável pela administração penitenciária e dos representantes sindicais da categoria.

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