A nova exigência administrativa, que prevê a presença obrigatória de um servidor para acompanhar a coleta, anotar a pesagem, acessar sistema informatizado, lançar dados, imprimir documentos e validar o serviço, tem sido recebida com forte crítica pela categoria. Para muitos policiais penais, trata-se de desvio de função, agravando ainda mais a rotina em ambientes já marcados por tensão, risco permanente e sobrecarga operacional.
“Falta policial penal para garantir segurança, escolta, custódia e controle interno, mas sobra função que não é nossa”, relata um servidor, sob condição de anonimato. Segundo ele, a medida ignora a realidade das unidades, que operam no limite, com escalas apertadas e efetivo reduzido.
A insatisfação também expõe um problema estrutural mais amplo: a fragilidade da representação sindical. Servidores afirmam que a ausência de um sindicato forte e atuante facilita a imposição de tarefas administrativas alheias às atribuições legais do cargo, sem diálogo prévio ou compensações funcionais.
Especialistas em gestão pública alertam que o acúmulo de funções administrativas sobre agentes da segurança penal pode gerar impactos diretos na segurança interna das unidades, aumentando riscos de falhas operacionais, rebeliões e incidentes. Além disso, a prática pode abrir margem para questionamentos jurídicos relacionados ao desvio de função.
Enquanto o Estado amplia controles, planilhas e procedimentos burocráticos, os policiais penais cobram o básico: mais efetivo, valorização profissional e respeito às atribuições legais do cargo. Entre o sentimento de abandono institucional e a sobrecarga diária, o desabafo ecoa nos corredores do sistema prisional: para muitos servidores, “só a fé” tem sustentado a permanência no serviço.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Secretaria responsável pela administração penitenciária e dos representantes sindicais da categoria.


