Casos recentes flagrados pela companhia escancaram a dimensão do prejuízo coletivo. Em uma das ações mais recentes, aproximadamente 36 mil litros de água tratada estavam sendo desviados para abastecer um rancho em Nova Guarapari volume suficiente para atender centenas de pessoas por dia. Situações semelhantes foram identificadas em bairros inteiros, áreas rurais, chácaras de lazer, restaurantes, sítios, lagos artificiais e piscinas, enquanto moradores sofrem com torneiras secas.
A prática, além de criminosa, é socialmente injusta. Cada ligação irregular representa menos água para hospitais, escolas, moradores e turistas que dependem do serviço regular. O resultado é um efeito cascata: queda de pressão, interrupções frequentes e revolta da população que paga a conta corretamente.
Esforço da Cesan para conter o problema
À frente da companhia, o presidente Munir Abud tem reforçado ações de fiscalização e combate às irregularidades, mesmo diante de um cenário complexo e, muitas vezes, hostil. Durante operações para coibir os “gatos”, equipes da Cesan já enfrentaram atos de vandalismo, inclusive em estruturas de captação de água, como o ocorrido na noite de Réveillon, quando danos provocaram um “efeito cascata” que comprometeu o abastecimento no balneário.
Munir Abud tem reiterado que o desvio de água não é apenas uma infração administrativa, mas um crime, que deve ser investigado e, quando comprovado, encaminhado ao Ministério Público. Após identificar as irregularidades, a Cesan realiza o estrangulamento das ligações clandestinas e comunica as autoridades policiais, além de avaliar ações indenizatórias sempre que possível mensurar o prejuízo causado.
Responsabilidade coletiva
Embora a população cobre soluções imediatas para a falta de água, os números revelam que parte do problema nasce da irresponsabilidade de quem se apropria ilegalmente de um bem público essencial. O esforço da Cesan em tentar amenizar os impactos e manter o abastecimento mínimo esbarra, muitas vezes, na reincidência das irregularidades e no aumento do consumo durante o verão.
Guarapari, um dos principais destinos turísticos do Espírito Santo, enfrenta um dilema claro: sem combater de forma efetiva os “gatos” de água, qualquer investimento em infraestrutura será continuamente sabotado. O enfrentamento exige fiscalização firme, punição exemplar e, sobretudo, consciência coletiva de que água não é privilégio de poucos, mas um direito de todos.


